Harry Potter e o Enigma do Príncipe


No sexto e penúltimo capítulo da franquia Harry Potter, escrita pela romancista britânica, J.K. Rowling, Harry, Rony e Hermione procuram passar pelo ano letivo de Hogwarts em meio ao caos e a guerra que se instauraram após o retorno do Lorde Voldemort, no quarto volume. Em Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, ING, 2009), os protagonistas não terão apenas que enfrentar as forças do mal que estão do lado de fora dos portões de Hogwarts, como os demônios que habitam dentro deles.


Na cena inicial, Harry (Daniel Radcliffe) se encontra com o professor Dumbledore (Michael Gambon) para visitar o que será o novo professor de poções, Horacio Slughorn (Jim Broadbent). A escuridão tomou parte da Inglaterra. Pessoas, bruxas e não bruxas desaparecem a todo instante, as forças das sombras começam a articular seus mais audaciosos planos e o professor Slughorn é detentor de um segredo que pode mudar o rumo da guerra iminente.

Slughorn não é o único que possui um segredo. Dumbledore, agora com a mão direita seriamente ferida é outro que escondeu algo por trás das cortinas. Embora Harry esteja curioso para saber o que é, existem preocupações mais urgentes adiante. Algumas envolvem a luta contra o bem e o mal, mas outras são infinitamente mais complexas, como a busca pelo amadurecimento e a tensão sexual gerada pelos hormônios da adolescência, tudo mergulhado na intermitente - embora raramente presenciada - presenta do Lorde das Trevas.

No primeiro dia da aula de poções, Harry se depara com um antigo caderno repleto de anotações. O nome do detentor prévio é "Príncipe Mestiço", mais um dos mistérios que a trama evoca. Quem é o Príncipe Mestiço? Suas anotações ajudam consideravelmente o protagonista, mas Hermione (Emma Watson) e Rony (Rupert Grint) acreditam que há algo mais noturno escondido por trás da caligrafia do misterioso aluno.

David Yates se tornou o segundo diretor a capitanear mais de um filme da franquia Harry Potter, além de Chris Columbus, depois de ter dirigido o episódio anterior, A Ordem da Fênix. As mudanças na abordagem e no estilo da direção são palpáveis. Yates parece ter chegado à noção (um pouco tardia, mas bem vinda assim mesmo) de que menos é mais, e o sexto capítulo da série termina com uma sensação um tanto anti-climática (o que neste caso é bom).

A fotografia de Bruno Delbonnel é soberba. A câmera, constantemente em movimento, ressalta tons esverdeados e soturnos, e é a primeira vez que você se sente verdadeiramente dentro de Hogwarts, desde - provavelmente - o terceiro filme, O Prisioneiro de Azkaban. A trilha sonora de Nicholas Hooper não se compara aos temas centrais compostos por John Williams nos três primeiros filmes, mas ainda assim é eficiente para ressaltar os aspectos mais dramáticos da história, que ganha tons terrivelmente adultos neste episódio.

Costumeiramente recheado de grandes atores ingleses, o filme é cheio de belas atuações. Radcliffe continua um ator medíocre, mas sua interação com o professor de poções interpretado por Jim Broadbent é repleta de uma magia própria, especialmente quando o velho conta a história de seu peixe Francis e como ele o ganhou de uma aluna. Ou quando ele, Harry e Hagrid proferem palavras durante o funeral de Aragogue, a gigantesca tarântula que tentou matar o bruxinho no segundo filme.

São essas cenas, somadas ao humor britânico que parecia ter se perdido um pouco nos filmes anteriores, as performances repletas de nuances e as emoções genuínas que dão ao Enigma do Príncipe sua força magnética. Esses são seus melhores efeitos especiais, impossíveis de se conjurar com a mais avançada tecnologia existente. Isso é magia, bela magia. Maravilhosa de se contemplar.

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