Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1

Inaugurando a moda de transformar o livro final de uma saga em dois filmes, técnica posteriormente copiada por outras franquias (cof, cof, Crepúsculo, cof, cof), como fã da história, me sinto na obrigação de fazer uma resenha sobre Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows - Part 1, EUA, 2010) e, posteriormente, Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows - Part 2, EUA, 2011).

Mas acima de tudo, quero deixar registrado que minha visão e opiniões a respeito deste filme podem ser consideradas ligeiramente parciais. A história criada por J.K. Rowling fez parte da minha infância e adolescência e não tenho a pretensão de me considerar totalmente imparcial a respeito do assunto. Creio que a maioria dos jovens que hoje tem 20 e poucos anos foi iniciado na literatura pelas aventuras de Harry Potter e é por isso que a conclusão desta saga marcou toda uma geração.

É de se esperar que um filme que começa com a cena de uma garota apagando-se da vida e memórias de seus próprios pais para protegê-los de uma guerra, e termina com uma cena de morte, seja um bom filme, no mínimo. E é. Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1, dirigido pelo experiente David Yates, certamente figura entre os melhores da saga.

Por meio de atuações excepcionais de todo o elenco, incluindo os jovens que cresceram frente às câmeras para tornar a série de filmes uma realidade, um roteiro rápido e dinâmico com cenas de ação, drama e comédia e uma direção focada em seus pontos fortes, além de uma boa trilha sonora e efeitos especiais bem construídos, o filme mostra o potencial de toda uma equipe de artistas de ponta, jovens atores inclusos, assim como seus mestres.

A trama se desenvolve ao redor de Harry Potter (dã). Após a morte de seu mentor, Dumbledore, no filme anterior, o mundo mágico finalmente é obrigado a aceitar a verdade: o poderoso Lorde Voldemort retornou. E trouxe com ele uma guerra que ameaça a todos, bruxos e trouxas (pessoas sem poderes mágicos). A cena inicial é dividida na visão dos personagens principais: Harry, Rony e Hermione - Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson, respectivamente - e logo em seguida indo para uma cena em que Voldemort - o inacreditavelmente bom Ralph Fiennes que mostra todo o seu talento na pele do psicótico bruxo sem nariz - se reúne com seus seguidores.

Vale destacar também o bom trabalho de Emma Watson em toda a produção: está mais linda do que nunca e mostra a que veio já na primeira cena de que participa. Vale também destacar as participações pequenas, mas extraordinárias de Alan Rickman como Severo Snape e de Jason Isaacs como Lúcio Malfoy. Estes grandes atores são quase figurantes nessa primeira parte, mas ainda assim deliciam o espectador despertando os sentimentos certos por seus personagens.

A história se desenvolve na busca de Harry e seus amigos pelas chamadas Horcruxes (pedaços da alma de Voldemort que têm que ser destruídos para que o mesmo possa ser derrotado); na fuga contínua dos três amigos, visto que estão sendo caçados por todo mundo agora que Voldemort assumiu o Ministério da Magia; e na busca do próprio Voldemort por um objeto que só é revelado e obtido ao final do longa-metragem. 

À medida que ataques são realizados e personagens começam a tombar em batalha, percebe-se logo que o clima deste filme é diferente: mais sombrio, rápido, sentimental do que nunca antes. Diferencia-se dos anteriores que mostravam uma história de aventura pueril do início da adolescência e passa a mostrar os perigos da maturidade. Harry e seus amigos já não são mais crianças e isso fica explícito.

Apesar de haver ação em boa parte do filme, assim como romance e comédia (muitas e muitas cenas engraçadas), a cena que se destaca mesmo é a invasão de Harry, Rony e Hermione ao Ministério da Magia com a aparência de outras pessoas (vale conferir a atuação dos três atores mais velhos durante esta cena), em busca de uma das Horcruxes. A cena que ocorre em seguida é tensa e rápida e o espectador quase se sente sendo perseguido junto deles.

Ao final, torna-se claro o motivo de a história de um livro ter sido dividida em dois filmes. É claro que a história já é rápida e corrida, o que agrava o sentimento de perseguição constante, mas ao se propor a fazer apenas um filme, David Yates iria apenas desagradar aos fãs e estragar o desfecho da história. Isso é indiscutível. Não havia solução: teriam mesmo que ser dois filmes. E tal decisão se provou certa. Sobrou tempo nas mais de duas horas da produção para inserir piadas e ótimos efeitos visuais que se encaixaram com perfeição à trama, incluindo a belíssima história das Relíquias da Morte, feita com maestria inteiramente em efeitos gráficos.

Apesar de ter lido todos os livros da série (mais de uma vez), não gostei do livro final. Não achei o desfecho de J. K. Rowling digno de uma série tão boa e, talvez por isso fui ao cinema sem esperar nada. Foi uma surpresa agradável. É dificíl criar um filme incrível de um livro ruim, mas Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 chega perto. Bem perto. Vale pelas ótimas atuações, cenários, boas cenas de ação, diálogos afiados, roteiro bem conduzido e pela boa trilha sonora. Vale a pena conferir, principalmente porque era, como dizia o cartaz de estréia, o começo do fim.

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