Jirô Horikoshi, dublado por Hideaki Anno, criador da série Neon Genesis Evangelion nutre, desde criança, o sonho de pilotar aviões. Mas é míope, portanto, entra na universidade para aprender a desenhá-los. Muitos anos depois, se tornaria responsável pelo desenvolvimento e construção do que é considerado um dos maiores caças de todos os tempos, o Mitsubishi Zero.
O filme começa com o encontro de Jirô com uma figura imaginada de um desginer de aviões italiano, um homem chamado Caproni, a quem ele visita em seus sonhos e que serve como uma espécie de mentor espiritual para o protagonista no decorrer do filme. Ele decide perseguir o sonho de desenhar aviões, e viaja até Tóquio, onde encontra uma bela garota no trem, chamada Nahoko Satomi, com quem ele iniciará um romance mais para frente.Pelos olhos de Jirô, testemunhamos o grande terremoto de Tóquio de 1923, a crise da economia de 1929, a primeira Guerra e a evolução do fascismo. A sequência do terremoto que matou quase 150 mil pessoas e destruir o que é hoje uma das maiores cidades do mundo, se destaca como uma das mais incríveis da carreira do cineasta.
Em Vidas ao Vento, Miyazaki relembra um dos temas recorrentes de sua carreira: o sonho de voar, que esteve presente principalmente em O Castelo no Céu e O Castelo Animado. Jirô é como um poeta que não escreve. Seus aviões são sua obra de arte, e seu relacionamento com Naoko, embora tire muito do ímpeto do filme, serve para confirmar a ideia de que ele vê seus aviões como objetos de beleza, não de destruição.

Ainda que este não seja o filme mais acessível de Miyazaki (é decididamente o mais adulto que ele já produziu), é um de seus mais imediatos e mais fascinantes trabalhos. E, apesar de sua carreira estar completa, este filme serve para relembrar a luz que permeou todos os onze filmes longa-metragem que ele lançou até hoje. Requer-se um certo tipo de cineasta para encontrar beleza diante de tamanha feiura.
O estúdio Ghibli, fundado em 1985 por Miyazaki, seu colega Isao Takahata (de Túmulo dos Vagalumes) e outros dois colegas, está em boas mãos. Contudo, será impossível encontrar um substituto para um cineasta que trouxe às telas Princesa Mononoke, A Viagem de Chihiro e Ponyo. Sua ausência do mundo da animação, e do mundo mágico que ele ajudou a construir, será sentido. Mas como seu último filme sugere, não adianta olhar para trás. Somente para o futuro, pois é lá que os sonhos vivem.





Nenhum comentário on "Vidas ao Vento: Onde Vivem os Sonhos"