A Menina que Roubava Livros


Quando a morte conta uma história, você deve parar para ouvir. Seja essa história na forma de um livro ou de um filme. Depois de ler A Menina que Roubava Livros, a expectativa para o filme era baixa. Seria possível captar toda a essência da história nas telas? Alguns livros não são adaptáveis para o cinema, pois seu formato é essencialmente o impresso. E esse livro era um desses, com suas frases cortadas, listas no começo de cada capítulo e certa falta de linearidade na apresentação dos fatos. Não, o filme não capta toda a essência da história, mas consegue um bom resultado final, apesar de tudo.


Um dos livros mais bonitos que já li, sem sombra de dúvida, A Menina que Roubava Livros se passa na Segunda Guerra Mundial. Liesel Meminger (Sophie Nélisse) chama atenção da Morte em uma viagem de trem, na morte de seu irmãozinho pequeno. Em visitar periódicas, sua história nos é contada por ela, a Ceifadora, a responsável por pegar nos braços as almas das pessoas ao morrerem. De forma incrivelmente intrigante, acompanhamos a trajetória de Liesel e todos os livros roubados ao longo de sua infância.

Seus pais adotivos, os Hubberman, são bastante simples e peculiares. A mãe, interpretada nas telas por Kirsten Block, está sempre irritada e fala muitos palavrões. O pai (Geoffrey Rush) toca acordeão e trabalha como pintor. O relacionamento deles é permeado por histórias nas madrugadas, pesadelos e muito carinho, mesmo que às vezes disfarçado de insultos.

O filme conseguiu captar o ambiente, a casa velha, as refeições escassas e o acolhedor Max, o judeu que vive escondido no porão da família, de forma magnífica. A fotografia do filme é muito bonita, as cenas são intercaladas e fluidas, e mal dá para notar os 131 minutos de filme, a não ser que você esteja (como eu) chorando sem parar. Mas a parte mais incrível, que é a narração da Morte, ficou incompleta. Saber o que vai acontecer capítulos antes, mas não como, e acompanhar toda a afeição que ela tem por Liesel não é a mesma coisa no cinema. Nos livros, é apaixonante.


Mas vale a pena assistir, principalmente se você gostou do livro, só para reviver todo o drama da vida de Liesel. A força das palavras, dos livros e das histórias está presente em ambas as versões, mostrando o quão incrível é entrar no mundo da literatura e mergulhar em outros mundos que não o nosso. Porém, por mais que o filme seja lindo, e ele é, emocionante e, obviamente, triste, não chega aos pés do livro.

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