Harry Potter e o Cálice de Fogo


Ao contrário dos outros contribuidores do nosso time aqui no blog, eu não tive nenhum treinamento na área de comunicações, então vou tentar ao máximo fazer jus á obra. Vamos lá?

Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, ING, 2005, Mark Newel) é o 4º filme da série. Em sua trama, o herói Harry Potter  vive seu qaurto ano na escola de bruxaria de Hogwarts. A escola sediará o Torneio Tribruxo, uma competição com mais duas escolas de magia, em que um campeão de cada escola compete em diversas provas perigosas. Em uma virada surpreendente, Harry é selecionado pelo Cálice de Fogo para participar do torneio. Sem escolhas, ele precisa sobreviver às três tarefas. Paralelamente a isso, o servo mais leal do lorde das trevas, Voldemort, estende suas garras na escola, para derrotar Harry e restaurar o poder de seu antigo mestre.

As atuações são muito boas, e o filme está repleto de momentos mais light, bem-humorados, como as cenas do baile de inverno. O filme se destaca por ter muitas cenas de ação (as provas do dragão, labirinto e lago, por exemplo), diferentemente dos filmes anteriores, e os efeitos especiais trazem muita emoção nessa hora, não deixando a desejar em nenhum momento. O figurino também intriga, especialmente a caracterização das outras duas escolas, Beauxbatons (estilo francês) e Durmstang (estilo nórdico/ russo), que dão uma visão do mundo mágico fora da Inglaterra, aonde se passa a maior parte da série.
       
A série Harry Potter, para mim, pode ser dividida em dois momentos distintos: Antes e depois do evento do renascimento de Voldemort. Antes desse evento, a série é sobre um menino que  frequenta uma escola de magia e encontra, ocasionalmente, perigos relacionados ao vilão, que sempre tenta voltar. Após o evento no final do filme, Voldemort renasce, e a série passa a ter um foco completamente diferente,  tendo como motor principal a guerra entre os bruxos bons contra o Lorde das Trevas e seus Comensais da Morte. O filme, portanto é um divisor de águas, marcando as duas fases da série, e o momento de maior evolução da trama. Bem caracterizado, do começo ao fim, é capaz de cativar os espectadores sem mudar muito o foco do material original, sendo uma boa adaptação e um filme inesquecível!

Nerdologia: O plano do Vilão.

Para compensar a falta de crítica técnica, vou vestir a máscara de fanboy e olhar detalhadamente alguns aspectos da história, principalmente o plano do vilão.

Antes de tudo, temos que reconhecer uma coisa: o plano do vilão, o comensal da morte Crouch Jr., foi bem sucedido. O filme não tem um final feliz: apesar de Harry escapar das garras dos vilões no último segundo, o plano de Crouch era transportar Harry para as garras de Voldlemort, para que este pudesse executar um feitiço, que precisava da presença de Harry, para ganhar seus poderes de volta. O mal triunfou nessa história, Harry caiu que nem um patinho no plano e Voldemort recuperou seus poderes, mais terrível que antes.

Mas qual foi o plano de Crouch para fazer isso? Primeiramente, Crouch sequestrou o novo professor da escola, assumiu sua identidade,  inscreveu Harry no torneio e, durante um ano inteiro, trapaceou para que Harry saísse com vantagem na ultima prova. Tudo isso para que Harry pudesse ser o primeiro a chegar ao troféu, que estaria encantado como chave de portal, um feitiço que transportaria Harry para o esconderijo de Voldemort. Isso me parece um plano muito ruim e desnecessário. Vejam as complicações e riscos que esse plano traria:

  • A necessidade de derrotar Moody, o professor, um dos caçadores de bruxos das trevas mais poderosos e mais cuidadosos (paranoicos) da Inglaterra.
  • Passar meses preparando a poção polissuco, para transformar-se na aparência de Moody, uma poção que exige ingredientes raros e que pequenos erros trazem problemas terríveis.
  • Passar meses na identidade de outra pessoa, tendo que dar várias aulas e enganar colegas que o conheciam, inclusive os professores  Snape (especialista em ler mentes) e Dumbledore (o bruxo mais sábio e poderoso do mundo)
  • Ter que encantar o Cálice de Fogo para selecionar Harry além dos outros campeões, um artefato antigo cujo poder é equivalente a contratos mágicos.
  • Trapacear em um evento fiscalizado pelo ministério da magia, além do próprio prof Dumbledore.
  • Ainda assim, ter que confiar que Harry chegaria ao portal primeiro.

Em diversos momentos da história, Harry e Crouch ficam sozinhos, Crouch poderia muito bem (na minha opinião) usar essas oportunidades para passar alguma chave de portal para Harry, sem ter a complicação de movimentar o torneio inteiro ou passar meses fingindo ser outra pessoa. Foi um plano, demorado, complexo, arriscado e desnecessário. Digno de plano infalível do Cebolinha!

O vilão, nesse caso, teve sorte semelhante a de um herói de filme de ação, cujas balas não acertam nunca. Seu plano apesar de cheio de riscos foi bem sucedido, e a história ganhou um novo rumo, com um final não feliz, coisa rara em filmes de Hollywood.

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