Depois de uma missão que quase causa sua morte, James Bond (magnificamente interpretado por Daniel Craig, agora mais confortável no papel que ele antes interpretou sem convencer) precisa retornar ao MI6 para deter um perigoso terrorista chamado Silva (Javier Bardem) que tem um acerto de contas com M (Judi Dench).
Desde que Craig assumiu o papel do agente secreto do serviço de inteligência britânico, Bond deixou de ser um personagem caricato para se tornar algo mais profundo e complexo. Trata-se de um personagem agora mais físico (alguém reparou que este é o primeiro James Bond que não fuma?), mais ingênuo e vulnerável.
Sob o comando de Martin Cambpell, que já havia dirigido 007 Contra GoldenEye, mudou tudo de cabeça para baixo com o sensacional Cassino Royale. Especializado em filmes de ação, Campbell, natural da Austrália, criou um Bond violento, feio e frenético, com sequências de ação incrivelmente bem feitas. Aí, Marc Foster apareceu e ferrou tudo com Quantum of Solace, um dos piores da franquia.
Em princípio fazia sentido. Sem o costume de dirigir filmes de ação, e com um roteiro muito fraco, Foster não soube conduzir a já problemática narrativa, nem o bom elenco que tinha à disposição. Faltava um bom vilão também, aliás, nos dois filmes (ainda que Mads Mikkelsen e Mathieu Amalric sejam fantásticos atores, seus papéis eram muito fracos).
Não é o caso em Skyfall. O Silva de Javier Bardem é uma construção magnífica. Louco, engraçado e absurdamente desmunhecado. E não apenas ele é assustador como engraçado o tempo todo. Um vilão inteligente que testará os limites do herói Bond, de maneira que, se este não se superar, irá morrer. A atuação corajosa rendeu ao espanhol uma indicação ao Screen Actors Guild Award, o prêmio do sindicato dos atores dos Estados Unidos (o que indica que, apesar da forte concorrência, Bardem pode ser indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante).
Se por um lado, o Skyfall dirigido por Sam Mendes (de Beleza Americana) perde em termos de ação (Cassino Royale possui sequências mais bem desenvolvidas), ele ganha em muitos outros aspectos. Mendes é um diretor conhecido por trazer boas atuações, o que acontece de maneira surpreendente neste filme.
Mas acima de tudo, é um diretor vencedor do Oscar e que possui um cacife maior. Isso significa um elenco mais expressivo (com Ralph Fiennes e Albert Finney) e também o retorno das parcerias de Mendes com o diretor de fotografia Roger Deakins e o compositor Thomas Newman.
Esses aspectos técnicos tornam Skyfall um filme mais cinematográfico do que qualquer outro Bond já feito. A trilha de Newman é energética e atmosférica, criando o clima necessário nas cenas de ação e também nas sequências mais dramáticas. Já a fotografia de Deakins, 9 vezes indicado ao Oscar, é uma coisa de outro mundo.
A sequência que se passa em Shanghai parece algo saído de Blade Runner, enquanto a extraordinária sequência da casa assombrada no final do filme começa de dia, passa pelo crepúsculo até a noite, numa dança de luz e sombra de deixar qualquer um de queixo caído.
Não há uma Bond Girl expressiva neste filme. Não que houvesse nos outros dois, mas nesta edição do 007 isso se torna mais evidente. Isso acontece por que a narrativa gira toda em torno de M, que, interpretada por Judi Dench com uma dignidade e beleza impressionantes, ganha camadas de profundidade que não existiam antes.
Inusitado e revigorante, Skyfall é um filme mais engraçado e inteligente que seus antecessores. Dramático e melancólico, o último filme de James Bond representa é uma volta ao passado, que mantém um olho no futuro. Também representa o término de um ciclo: ao mesmo tempo em que o inverno termina, a primavera vem aí, e eu mal posso esperar por ela.









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