O Hobbit: A Desolação de Smaug

O primeiro filme da trilogia Hobbit, Hobbit: Uma Jornada Inesperada foi um grande sucesso de bilheteria (arrecadando cerca de 1 bilhão de dólares mundialmente) e proporcionou aos fãs de O Senhor dos Anéis, uma segunda chance para revisitar a Terra Média e alguns de seus personagens mais icônicos. Mas convenhamos, ele foi um pouco longo e um pouco chato. A segunda empreitada de Peter Jackson ao romance de J.R.R. Tolkien Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug, EUA/NZL, 2013) é um pouquinho menos longo e um pouquinho mais chato.






Isso acontece por que só depois de duas horas de correrias e pancadarias, mais correrias e pancadarias e ainda mais correrias e pancadarias, o dragão aparece. E, ah, o dragão... Smaug é uma criatura magnífica que possui a mesma magia tecnológica responsável pela criação de Gollum. E Benedict Cumberbach, assim como Andy Serkins fez, deu ao seu monstro uma voz para equipará-lo. Smaug é pura fúria, ganância e maravilhamento. No entanto, quando sua aparição finalmente acontece, você já teve que aguentar duas horas de elfos, orcs e anões (e um hobbit) feitos de computação gráfica lutando e pulando no pior estilo "Dragonball dos Irmãos Wachowski" (vulgo Matrix: Revolutions) e está esgotado.




Se a trilogia O Senhor dos Anéis teve de dar conta de três livros completos, em O Hobbit, Jackson está enchendo linguiça para justificar três filmes com cerca de duas horas e quarenta de duração, cada um. Neste novo filme, Legolas aparece de algum lugar (certamente não do romance de Tolkien) e sua companheira, Tauriel (Evangeline Lily) é pura invenção. Não obstante, seu relacionamento com o anão Kili (Aindan Turner) proporciona um dos os poucos momentos de ternura e afeto, com ambos os atores demonstrando intensa e surpreendente química.


O mesmo acontece entre Legolas (Orlando Bloom) e seu pai, rei dos elfos, Thranduil (o belíssimo e implacável Lee Pace) e Bilbo (Martin Freeman) e Gandalf (Ian McKellen). O ponto é que, quando Peter Jackson deixa os atores trabalharem e dispensa o uso dos bonecos digitalizados, o filme ganha o senso de magia verdadeira, a mesma presente em O Senhor dos Anéis. De resto, sua obsessão pela computação gráfica priva o filme de tudo que seus predecessores foram.

A trilogia de O Senhor dos Anéis, teve, além de todos os seus méritos, a capacidade de fazer o espectador acreditar que ele realmente estava na Terra Média. Os atores não eram mais atores, perfeitamente encarnados em seus personagens, mesmo quando as sequências de ação pareciam estar durando tempo demais para continuar prendendo a atenção do espectador. Há pouco que não seja artificial em O Hobbit. Começando pela barulhenta e pouco inspirada trilha sonora composta por Howard Shore, aos desníveis graves na qualidade da computação gráfica.


Existem, no entanto, algumas passagens que valem à pena uma atenção redobrada. Como quando Gandalf e o mago Randagast (Sylvester McCoy) visitam uma prisão abandonada, ou quando a câmera do diretor de fotografia, Andrew Lesnie passeia pelos corredores abandonados de Erebor, e pelas montanhas do tesouro de um dragão até então adormecido. Essas sequências, assustadoras e majestosas, relembram o espectador de um tipo de magia brevemente resgatada de O Senhor dos Anéis, que, em adição aos diálogos fenomenais entre Bilbo e Smaug, dão ao filme um senso de relevância e propósito. No entanto, elas não são o bastante para justificar uma obra de tamanho comprimento e esterilidade. Mas o dragão. Ah, o dragão. Eu aguentaria mais duas horas de baboseiras pela Terra Média, só para poder ficar mais tempo com aquele dragão.

Um comentário on "O Hobbit: A Desolação de Smaug"

  1. Se teve uma coisa que me incomodou o tempo todo no filme foi a droga da câmera. Sei lá, cara, a movimentação dela me deixou com uma dor de cabeça danada que só foi embora quando o dragão surgiu!
    Mesmo concordando com sua opinião, quero o terceiro filme logo. Só falta ele revelar que a Tauriel é mãe do anão SUAHASUHSAUSAHSUAHSAUHSAUHUSHSAUHSAHUSA

    Texto muito legal! õ/
    Seguidora nova!
    http://josyarr.blogspot.com.br/

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