Breaking Bad: Goodbye, Bitch!


Como dito na recente resenha de Dexter, a moda dos seriados protagonizados por anti-heróis vêm marcando a presença na TV à cabo já tem uns bons anos. Para a vantagem dos telespectadores, claro. Isso porque personagens que não se prendem a limites morais e que traçam suas próprias regras se mostram protagonistas muito mais interessantes, na minha opinião.

Portanto não é surpreendente que um seriado como Breaking Bad faça tanto sucesso. Neste domingo 13/10, fez exatamente duas semanas que foi finalizada a série criada por Vince Gilligan, que conta a história de um professor de química de colegial. Ele se descobre à beira da morte e, na tentativa de deixar algum dinheiro para sua família se manter, acaba se tornando um dos maiores traficantes de metanfetamina dos EUA.

Com o decorrer das 5 temporadas que a série dura (de 2008 a 2013), acompanhamos o crescimento, ou talvez seja a decadência, do ingênuo e inofensivo professor de ensino médio Walter White (o inacreditavelmente bom Bryan Cranston) no seu alter-ego oposto, violento, frio, manipulador e calculista: Heisenberg. Não vou entrar em detalhes sobre como a série termina. Mr. White tem um câncer de pulmão incurável que o levará à morte, então é de se supor que ele não sairá do último episódio vivo. Mas ver a decadência física da personagem enquanto sua reputação apenas cresce é um prêmio à parte.

Aliás, vale ressaltar, que elenco estelar vemos em Breaking Bad. Quando Mr. White (ou Walt) recruta um ex-aluno seu, Jesse Pinkman (o incrível Aaron Paul, bitch!), você não sabe o que esperar. Isso simplesmente porque Jesse é tão obviamente um idiota no começo da história que é cômico. E ele é tão obviamente culpado de traficar drogas menores (e usá-las) que é surpreendente que não tenha ido pra cadeia. E seu costume de colocar o bordão ‘bitch!’ no fim de cada sentença é simplesmente divertidíssimo, bitch!

Outras personagens importantes (e um pouco irritantes) são a esposa de Walt, Skyler (Anna Gunn, que é ótima atriz encarnando uma personagem pra lá de chata) e sua irmã, Marie (Betsy Brandt). Embora Sky melhore no decorrer da série, ficando muito mais bad ass, Marie continua e mesma mala sem alça até o último episódio.

Depois também conhecemos o agente especial Hank Schrader (cansativo dizer que Dean Norris também é incrível?) do DEA - Agência de Combate às Drogas, em tradução livre - e que, por acaso também é cunhado de Walt. E mais pro fim do seriado, conhecemos o advogado porta-de-cadeia Saul ‘You better call Saul!’ Goodman (Bob Odenkirk, que de tão bom acabou ganhando um spin off próprio), que passa a ajudar Walter e Jesse a lavar o dinheiro conseguido com a venda de metanfetamina.

Pra quem não sabe, a metanfetamina é uma droga completamente produzida quimicamente e por isso é a opção mais viável para um genial professor de química que precisa de dinheiro rápido antes de morrer. Mas à medida que seu produto ganha reconhecimento pela alta qualidade, Mr. White e Jesse começam a lidar com os peixes grandes do tráfico de drogas. É nesse ponto que Walt assume o pseudônimo de Heisenberg (seu alter-ego de sangue-frio) e também é quando conhecemos personagens incríveis como Gustavo 'Gus' Fring (o assustador e magnífico Giancarlo Esposito), que é um traficante poderoso e multimilionário e que se disfarça de gerente de lanchonete; e seu braço direito (bem armado), Mike Ehrmantraut (o ainda-mais-assustador-e-com-olhos-mortos Jonathan Banks) que é quem cuida da ‘segurança’, que em outras palavras significa fazer o trabalho sujo.

Não vou entrar em mais detalhes. Quem assiste/assistiu Breaking Bad sabe o quanto a série é espetacular. E ficou marcada como uma das melhores exibidas na televisão nos últimos anos. Fica marcado os meus parabéns para o canal AMC e para o criador Vince Gilligan. Não à toa foi indicado umas 15 vezes à prêmios, só nesse ano de 2013 (segundo minha contagem ultra-rápida no IMDB), ganhando muitos deles. Agora, se você nunca acompanhou a série, mas gosta de explosões, sangue, violência e tudo o mais a que se tem direito para que você próprio não se transforme num psicopata/traficante/mercenário, eu recomendo muito que você assista. Me agradeça depois.

Sobre o último episódio de Breaking Bad, este se chama ‘Felina’ e, ao contrário de uns outros episódios finais de séries foi à altura dos fãs e de todos os episódios que o antecederam (chupa Dexter). Dei uma pesquisada e além de o título formar um anagrama para ‘finale’, ainda faz referência a uma música de 1959, que toca durante o episódio. Essa música se chama ‘El Paso’ de Marty Robbins e conta a história de um cowboy sem nome que se apaixona por uma mulher chamada Felina, é baleado por seus inimigos e morre nos braços da amada. Não vou dar spoilers, mas eu diria que a música não só encaixou perfeitamente no episódio como levou a compreensão das cenas finais a outro nível. Resumo da ópera que é a jornada de Walter ‘Heisenberg’ White: espetacular, incrível, imperdível (bitch!).

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