O Guerreiro

Um arquétipo de Guerreiro
Em RPGs, é muito comum haver um Guerreiro. De fato, o Guerreiro é uma classe muito poderosa, com muitos talentos, força bruta, amplo leque de armas e armaduras... Todos esses fatores fazem do Guerreiro um verdadeiro senhor dos campos de batalha.

Eu já tive um Guerreiro. Graças ao meu incrível Mestre, ele teve um destino minimamente inusitado. (Aliás, aproveitando o momento, gostaria de parabenizar o Cícero - além de um excelente professor de Língua Portuguesa e Redação, é um exímio Mestre). Meu elfo Guerreiro de dois metros de altura, caído no chão, virou um licantropo poderoso, que sabia usar a minha espada. Muito legal, não? E, enquanto quase todos os meus companheiros estavam caídos no chão (com exceção do Mago que me deu a poção que me transformou em licantropo), eu assolava o campo de batalha.

Fato é que o Guerreiro é um personagem abençoado, tanto para Mestres quanto para jogadores. São personagens versáteis, aguentam bastantes golpes, podem superar obstáculos que exigem Força ou Destreza, o que permite aos Mestres dar uma saudável dificultada no esquema de jogo. E a graça dos jogadores está em justamente fazer seus Guerreiros superarem qualquer empecilho imposto pelo Mestre.

No entanto, há uma pergunta que me intriga: há uma supervalorização do Guerreiro em detrimento de outras classes? Alguns poderão dizer que não - eu digo que sim.

A primeira coisa é que, em geral, Guerreiros não geram jogadores inventivos. Ao contrário de Magos iniciantes (cuja pouca vida, inabilidade física e falta de magias poderosas os faz como estorvos, no começo do jogo), que precisam muitas vezes fugir para salvar suas vidas ou achar algum caminho alternativo, os Guerreiros têm um método padrão de ações: "A porta está trancada? Eu a chuto até ela quebrar/abrir"; "Oras, estou com dois inimigos perto? Ataco um e, se matá-lo, utilizo 'Trespassar' para atacar o outro também!". Em suma, 90% dos Guerreiros se utilizam da brutalidade, ao invés da inteligência, de maneira similar aos Bárbaros, o que pode atrapalhá-los seriamente caso o Mestre decida, por um acaso, colocá-los num labirinto cujas portas não podem ser forçadas, por exemplo.

Outro problema com os Guerreiros é que, em geral, são personagens estereotipados. São os heróis, em geral. A própria espada, o próprio escudo, ambos carregam um simbolismo muito forte, cujo uso já virou algo maçante, cansativo.
Armas lindas, mas seriam mais bonitas nas mãos de um Paladino
O último problema dos Guerreiros é que, num RPG, como não há um personagem principal, eles perdem seu brilho na história. Jamais darão vilões tão legais como Bárbaros, Magos ou Feiticeiros, jamais serão mercenários tão bons quanto Ladinos ou Bardos, jamais serão excelentes justiceiros como Clérigos ou Paladinos, jamais serão defensores da natureza tão convictos como Druidas ou Rangers, ou seja, são personagens cujo brilho é ofuscado claramente pelas outras classes. Ele pode ser um soldado de alta patente, até um protetor de um rei... Mas, fora das batalhas, um Guerreiro dificilmente terá seus momentos de glória. Um fim triste para tão bom guerreiro.

É isso, galera, esse é meu primeiro post no Who's Geek. Espero que tenham curtido! :3

2 comentários on "O Guerreiro"

  1. Dahora o post!

    Tiraram o Guerreiro do DnD 4a edição...

    Virou um monte de classes marciais, uma pena, era clássico haha

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  2. Jura que tiraram?! Que pena. Apesar de ser uma classe batida, era realmente divertido jogar com um Guerreiro para descontrair... Mas acho que fizeram isso para dar mais chances às outras classes de luta, como Monge e Paladino, que sempre foram classes Under Used. No D&D 4.0, por exemplo, o Paladino está muito mais coerente, de acordo com sua função no grupo, apesar de ter perdido um pouco do foco no momento em que deixaram Paladinos serem maus...

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